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Diante da geopolítica da imprevisibilidade como maximizar o conceito de “Aliado Confiável” (Friend-shoring)? 

A nova Ordem Global exige que mulheres dividam as mesas de decisão.
A nova Ordem Global exige que mulheres dividam as mesas de decisão.

O comércio e suas geografias mudaram drasticamente em um ano, comprovando o quanto as instituições pós segunda guerra mundial foram perdendo as suas funções e seus poderes. Até há pouco tempo, era possível  o fluxo do comercio internacional transitava de um lado a outro sem levar em conta, como principal entrave, os humores da política. Preços, prazos e entrega eram os objetos primeiros dos acordos.

 

O antigo arcabouço gerido por organizações como a OMC, está paralisado e se definha dia após dia. A “neutralidade” política, obriga as empresas a buscarem o “Aliado Confiável”.  O mercado como conhecemos até agora, navega bem na  previsibilidade e não na especulação. Antes havia um arcabouço legal e baseado nas relações internacionais. A conformidade atual geopolítica gera impactos menos favoráveis.  Agora, a busca é por construir pontes mais profundas. A partidarização de temas como guerras e invasões entram nos Conselhos de Administração de empresas, instituições e governos. Ter uma “Aliado Confiável” torna-se, nesse cenário, uma necessidade de sobrevivência.


O impacto para as PMEs lideradas por mulheres:

 

Dois desafios:

1.        Investimentos tendem a rarear. Até países não bélicos como Brasil e Portugal, começam a se movimentarem com aumento em gastos militares. O capital torna-se mais conservador e tende ao caminho dos setores de defesa e indústria pesada, o que pode dificultar o financiamento para PMEs lideradas por mulheres (somos menos bélicas)

2.        A fragilidade dos negócios liderados por mulheres que são em grande medida, as PMES. Nesse contexto, as aplicações de tarifas ou sanções atingem de forma muito pesada, inclusive pelo desconhecimento das novas leis do comércio internacional.

 

Essa nova “divisão do mundo”, já aponta para outros e velhos parâmetros. O “Aliado Confiável” deixa de ser quem “me entrega” o produto ou serviço e passa a ser sobre “quem pensa como eu” , quem “compartilha dos valores ideológicos”, “quem não vai me sancionar amanhã”. A gestão da reputação (aparência e essência) e o Soft Power, são hoje ativos geopolíticos importantes.

 

A previsibilidade da liderança, a ruptura de alianças históricas e o enfraquecimento dos organismos que mantinham um certo equilíbrio nos jogaram de volta ao mundo dos estados volúveis e das lideranças erráticas. Nesse cenário, ter aliados confiáveis é um ativo mais precioso do que nunca.

 

Como isso é uma oportunidade para nós mulheres de negócios?

1.        Esse cenário favorece quem AGE! Os gigantes podem ter mais recursos mas são pesados  e demoram na mudança de rota.

2.        Nós desenvolvemos uma maior capacidade de adaptação aos novos cenários

3.        Consultoria sobre Diplomacia Empresarial, Economia do Cuidado e Saúde são oportunidade, por motivos semelhantes

4.        Agtech: a necessidade de independência alimentar é um excelente caminho

5.        Ser adaptável às circunstâncias transformando-as em ativos: já não temos a previsibilidade com qual montámos as estratégias no longo prazo, que se restringe.

6.        Desfocar de mercados tradicionais e buscar novos horizontes e valorizar o mercado interno

7.        Desenvolvimento tecnológico com inovação de base e sustentáveis. Mercado interno e de Aliados.

 

Para corroborar sobre a minha tese de que vivemos uma grande “Occasione” sugiro a leitura de Jack Zenger e Joseph Folkamn, consultores de lideranças C-level. Eles escreveram um artigo, publicado pela HBR, “Resserch: Women Are Better Leaders During a Crisis”, no qual eles analisaram mais 60.000 líderes (com um corte na primeira fase da pandemia) com dados de 454 homens e 366 mulheres, com a pergunta “Quem está liderando melhor em meio ao caos?”


As mulheres lideram melhor em condições extremas. Porque?

1.        Inspiram

2.        Comunicam de forma mais empática (avaliação minha a partir dos resultados)

3.        São melhores colaboradoras

4.        Constroem relacionamentos mais confiáveis

5.        Têm mais iniciativas

6.        Foco em resultados

 

Maquiavel dizia que a Fortuna é como um rio violento que em tempos calmos não prestamos muita atenção. Contudo, durante as cheias tudo inunda e destrói. As mulheres líderes podem ser as construtoras ainda de diques e barreiras, nesta inundação que se anuncia de modo violento e brutal. Ainda é tempo.

 

E onde entro nessa história? Eu funde,  há 6 anos,  o Clube Mulheres de Negócios em Língua Portuguesa, criando um ambiente de “Aliada Confiável” para favorecer a internacionalização. Hoje estamos em 20 países, em 5 continentes como pontes de expansão de negócios liderados por mulheres, em língua portuguesa. Em 2025 comecei a sistematizar o Programa Maquiavel para Mulheres que Ousam Comandar, com o objetivo de incluir mulheres no tabuleiro do jogo do poder, com foco em destravar as limitações conceituais e morais sobre a realidade efetiva das coisas.

 

Sim, é hora de trabalharmos as regras de poder que nos foram negadas por milênios e as trazermos para as mesas de decisão.

 

 

 

 
 
 

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