Silver Economy – sob a ótica do ginecologista
- Ana Helena Mattos

- há 2 dias
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A Silver Economy refere-se ao conjunto de produtos, serviços e soluções voltados à população acima de 50 anos, impulsionada pelo envelhecimento populacional e pelo aumento da expectativa de vida.
Sob a ótica da mulher climatérica, a Silver Economy deixa de ser apenas um conceito demográfico e passa a representar uma profunda transformação comportamental, clínica e econômica, talvez a mais relevante da tendencia de mercado contemporâneo.
Não é apenas sobre envelhecer, é sobre viver mais, com qualidade, autonomia, sexualidade e bem-estar.
A mulher entre 45–65+ anos de hoje não se comporta como as gerações anteriores.
Ela:
Vive mais (expectativa de vida no Brasil já ultrapassa 76 anos);
Permanece ativa social, profissional e sexualmente;
Tem maior autonomia financeira (ou acesso a recursos familiares);
Está inserida no consumo digital (crescimento expressivo desse público).
Ou seja, ela não aceita mais o envelhecimento como perda e sim como fase de reinvenção.
Atualmente, essa mulher apresenta uma profunda mudança comportamental que vai da resignação para a otimização.
Historicamente a menopausa significava o fim da sexualidade e invisibilidade social, atualmente, o climatério passou a ser uma fase de autocuidado, liberdade e investimento pessoal.
O pensamento dominante é: “Eu quero envelhecer bem e estou disposta a investir nisso.”
Quanto a dados concretos no Brasil:
A Silver Economy movimenta entre R$ 1 trilhão a R$ 2 trilhões/ano;
Representa cerca de 20% do consumo/PIB em algumas estimativas;
População mais de 30 milhões de pessoas 60+.
Dados de mundo:
Pessoas 50+ representam ~27% do consumo global (~US$ 7 trilhões/ano);
São responsáveis por ~48% do crescimento do consumo global.
A Silver Economy sob uma interpretação estratégica não é um nicho, é o principal motor de crescimento do consumo nas próximas décadas.
Esse público apresenta características marcantes no consumo e tem como prioridade máxima:
Saúde e longevidade buscando ativamente terapias hormonais, suplementações, medicina preventiva, check-ups avançados, tendo como motivação o medo da perda de funcionalidade.
Sexualidade e qualidade íntima, investindo em tratamentos para sintomas decorrentes do climatério, para melhora do desempenho físico e sexual, terapias regenerativas e procedimentos estéticos variados, sendo nestes quesitos, motivadas por manter vida sexual ativa, autoestima e manutenção de relação conjugal.
“Quero que minha aparência reflita como eu me sinto”
Bem estar global, buscando frequentar academias, além de pilates, yoga, nutrição funcional, terapias integrativas. Além de viagens, lifestyle, comunidades.
Diferente do jovem, apresentam menos consumo impulsivo e mais consumo com significado.
Esta população apresenta alta disposição de pagamento (Willingness to Pay), porque já construiu patrimonio, tem menos dependentes, prioriza a sim mesma.
Trazendo para a realidade do Ginecologista, essa paciente aceita tratamentos de médio/alto valor, prefere qualidade, indepedentemente de preço, valoriza confiança no profissional.
Não pergunta “quanto custa primeiro, pergunta:
"Isso funciona?”
"É seguro?”
"Vai melhorar minha qualidade de vida?”
O grande erro do mercado é tratar essa mulher como "idosa" ou "básica", quando na verdade ela é uma consumidora premium altamente exigente.
Com base nas Projeções da População do IBGE (2000–2070) e na estrutura etária feminina por idade simples, partir da primeira metade da década de 2030, o Brasil passa a ter mais mulheres com 40 anos ou mais do que mulheres com menos de 40 anos.
Esse processo é consequência direta da queda sustentada da fecundidade (abaixo da reposição desde os anos 2000), aumento da expectativa de vida feminina e envelhecimento rápido da pirâmide etária.
O Censo 2022 já mostra o Brasil muito próximo desse ponto, com forte concentração feminina nas faixas de 40–59 anos, mas o cruzamento definitivo ocorre apenas nas projeções da década seguinte.
Com base nas World Population Prospects 2024 (ONU), usando a população feminina global por idade simples, esse ponto de inversão ocorre por volta do final da década de 2020 / início da década de 2030.
Países de renda média e alta já ultrapassaram esse marco; países de baixa renda ainda mantêm maioria feminina abaixo dos 40 anos, o que “atrasa” o resultado global agregado.
A ONU destaca que o envelhecimento populacional é global e irreversível neste século, com crescimento acelerado das faixas etárias acima de 40 anos, especialmente entre mulheres.
Quando (no Brasil e no mundo) a balança demográfica virar e houver mais mulheres acima dos 40 do que abaixo, você está pessoalmente e no seu ramo de atuação, pronta para acolher, criar soluções relevantes e lucrar de forma ética e sustentável com o poder de compra e influência das mulheres da silver economy?

POR ANA HELENA MATTOS
Ginecologista há 32 anos, Idealizadora e fundadora da Ybá Industria de Extratos e Produtos Cosméticos Naturais, Coordenadora de Pós Graduação para Médicos em Ginecologia Regenerativa, Funcional e Estética e Idealizadora da CLIM: Fem Tech/ Health Tech na Silver Economy. Embaixadora Master do Clube Mulheres de Negócios em Língua Portuguesa.




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