O amadurecimento do ESG: conquistas, críticas e visão de futuro
- Mayra Tavares Gil de Souza

- 23 de jun.
- 3 min de leitura

Por muito tempo, sustentabilidade foi tratada como um tema paralelo às decisões estratégicas das empresas, mas atualmente a realidade é outra. O ESG (Environmental, Social and Governance) passou a ocupar espaço nas salas e falas de conselho, influenciar investimentos e redefinir a forma como organizações medem seu desempenho. No entanto, à medida que amadurece, o conceito também enfrenta críticas, distorções e desafios que colocam sua efetividade à prova.
Os avanços são inegáveis. Um dos principais acertos do ESG, por ter o foco em gestão e raízes no mercado financeiro, foi aproximar sustentabilidade e estratégia de negócios. A agenda deixou de ser vista apenas como uma agenda paralela, uma "caixinha" separada em um BSC (Balance Scorecard) ou OKRs de um Planejamento Estratégico, mas se tornou um fator diretamente ligado à geração de valor, gestão de riscos e competitividade. Empresas que incorporam critérios ESG em sua governança, tendem a estar mais preparadas para enfrentar mudanças regulatórias, pressões de mercado (principalmente cadeias globais de valor) e expectativas crescentes dos consumidores e sociedade.
Outro ganho importante foi a conexão entre sustentabilidade e desempenho financeiro. Investidores ampliaram o olhar para além do convencional, e passaram a considerar indicadores ambientais, sociais e de governança para avaliar empresas e possibilidades de parceria efetiva, impulsionando uma nova lógica de mercado na qual resultados econômicos e impacto positivo caminham juntos. Essa mudança contribuiu para ampliar o foco no longo prazo, sem ignorar as demandas imediatas do negócio. Somado a isto, as finanças sustentáveis alavancaram a alocação de ativos monetários, muito mais competitiva e resiliente, em projetos que demonstrem sua contribuição e promoção ao desenvolvimento sustentável, podendo destacar projetos de transição energética, bioeconomia, agricultura regenerativa, soluções para economia de baixo carbono e outros.
A evolução tecnológica também ajudou a fortalecer a agenda. A implementação de ferramentas de gestão, plataformas de monitoramento e métricas mais sofisticadas permitiram que empresas acompanhassem seus indicadores com maior precisão, integração e transparência. Paralelamente, iniciativas globais de padronização, como por exemplo, as normas do International Sustainability Standards Board (ISSB), o conhecido GRI (Global Reporting Initiative), avançaram na criação de uma linguagem comum para a divulgação de informações ESG.
No entanto, os desafios continuam sendo significativos. Em muitos casos, a implementação ocorreu de forma superficial, limitada a relatórios ou campanhas institucionais sem mudanças efetivas na cultura organizacional e consciência real das lideranças empresariais. A pressão de investidores, consumidores e reguladores levou algumas empresas a adotarem práticas ESG mais por obrigação do que por convicção, comprometendo a autenticidade das iniciativas. Isso se dá, muito pela falta de entendimento sobre o conceito, e sua aplicação prática, transformadora e legítima, o que também abriu espaço para interpretações equivocadas e para a disseminação de desinformação, e infelizmente para o Greenwashing ("marketing verde").
Neste contexto, o ESG passou a ser associado erroneamente a pautas ideológicas ou políticas, desviando o foco de seu propósito original, que é de promover uma gestão mais eficiente, responsável e sustentável. Quando organizações exageram ou distorcem seus compromissos socioambientais, não apenas prejudicam sua reputação, como também enfraquecem a confiança de investidores, consumidores e da sociedade em relação ao movimento como um todo.
O futuro do ESG dependerá menos de discursos e mais de resultados concretos e que realmente promovam mudanças de consciência e estruturais nas organizações. A abordagem exige propósito, maturidade, transparência e integração genuína na cultura e às decisões empresariais. O desafio não é apenas demonstrar compromisso com práticas sustentáveis, mas comprovar, por meio de dados e impactos mensuráveis, que essas ações geram valor para os negócios e para a sociedade.
Uma sigla, um modismo passam! Mas o desenvolvimento sustentável e seu legado de progresso social, cuidado e responsabilidade com o meio ambiente e conduta ética e transparente ficam, estes não saem de moda em momento algum, são atemporais e estruturantes na sociedade e na economia. Mais do que uma tendência ou sigla, o ESG representa uma transformação na forma como empresas e lideranças entendem seu papel no mundo.

POR MAYRA TAVARES GIL SOUZA
Mayra Tavares Gil de Souza é especialista em desenvolvimento sustentável, governança e estratégia, com mais de 20 anos de experiência. Atuou em empresas como Bureau Veritas, BRF e Grupo Boticário, é alumni da Universidade de Oxford e, atualmente, é sócia-fundadora da SEED Consultancy e produtora de café no Sul de Minas Gerais.




Um artigo excekente e atual.
O artigo apresenta uma visão equilibrada sobre a evolução do ESG, destacando que deixou de ser um tema periférico para se tornar um elemento estratégico na gestão empresarial. A autora acerta ao enfatizar a relação entre sustentabilidade, geração de valor, gestão de riscos e competitividade, bem como o papel das finanças sustentáveis e da padronização de métricas na consolidação do tema.
Por outro lado, o texto reconhece desafios relevantes, como a adoção superficial de práticas ESG, o greenwashing e a politização do conceito, fatores que podem comprometer sua credibilidade. A principal mensagem é que o futuro do ESG dependerá menos de discursos e mais de evidências concretas de impacto e criação de valor.
Em síntese,…